(Atualizado com links ao final do post para as normas da ABNT sobre acessibilidade a meios de transporte)
Uma área de atuação muito interessante da TO e sobre a qual a gente costuma ver de vez em quando notícias e artigos na internet (nada em português, infelizmente) é a relacionada à avaliação, orientação e reabilitação de motoristas. Afinal, a capacidade de dirigir com desenvoltura e segurança está intimamente relacionada ao senso de autonomia e competência, além de ser necessária para a realização de certas atividades do dia-a-dia e para o desempenho de alguns papéis. Em um mundo onde o trânsito e o transporte ficam cada vez mais complicados, então, esta é uma habilidade importante e muito útil. Nos casos, porém, em que desenvolver ou recuperar tal habilidade não é possível – ou mesmo viável – o Terapeuta Ocupacional também pode auxiliar no processo de transição para outros meios de transporte e mobilidade na comunidade.
Aliás, o Terapeuta Ocupacional tem muito a contribuir nessa área, considerando-se sua capacitação para a análise das atividades humanas em seus vários aspectos, envolvendo fatores do indivíduo, do contexto e do ambiente.
Um dos exemplos da atuação do TO está no site da AOTA (Associação Americana de Terapia Ocupacional), que disponibiliza informações e referências para profissionais que trabalham com motoristas que, devido às mudanças decorrentes do envelhecimento, podem ter problemas com sua segurança e independência. O site da CAOT (Associação Canadense de Terapia Ocupacional) também disponibiliza várias informações a respeito. Outro site com muitas informações sobre direção segura, em inglês, é o Drive Safety, que fala de ciências relacionadas à essa área e também da TO.
Cito também uma notícia publicada na semana passada no La Crosse Tribune.com a respeito de um evento, parte do programa “CarFit”, em várias cidades dos Estados Unidos, no dia 10 de outubro. A proposta é muito interessante e útil: orientar os motoristas a ajustarem corretamente itens de seus veículos como espelhos, bancos, volantes e cintos de segurança. O objetivo, segundo o Terapeuta Ocupacional Gundersen Lutheran, é otimizar o ajuste dos motoristas ao veículo para aumentar a segurança, em uma abordagem preventiva. Segundo os organizadores, o evento é direcionado a adultos com mais de 65 anos, mas é útil para pessoas de todas as idades, e a checagem leva cerca de 20 minutos.
Quanto ao tal programa “CarFit”, vejam que bacana (vi a informação aqui): é um programa nacional, não-lucrativo, direcionado a motoristas mais idosos para assegurar que os seus carros estejam adequados às suas condições de envelhecimento, e foi desenvolvido pela AOTA, em conjunto a Sociedade Americana de Envelhecimento. O programa é baseado em uma inspeção do tipo drive-thru no carro.
Entre os 12 itens checados, conforme notícia disponível aqui, estão: “A pessoa está posicionada corretamente no banco do motorista? Ela pode alcançar facilmente os pedais? Ela sabe ajustar os espelhos adequadamente ou tem a flexibilidade necessária para vê-los?” Depois da checagem, o motorista tem uma consulta com um Terapeuta Ocupacional que lhe fornece as orientações e os encaminhamentos necessários, caso seja verificado um problema ou uma necessidade específicos.
Tendo em vista as condições cada vez mais estressantes do trânsito hoje em dia e o envelhecimento da população, percebemos a importância e a oportunidade de iniciativas como essa. Com o aumento da idade, aumentam também os riscos de acidentes, especialmente se o motorista não recebe acompanhamento ou não tem consciência de suas dificuldades, como diminuição da acuidade visual, força e velocidade de resposta, entre outras. Segundo Mary Beth Meyer, TO americana especialista em reabilitação de motoristas, alguns dos sinais de alerta incluem: dirigir muito devagar; falhar em observar sinais e semáforos; facilidade em ficar frustrado ou confuso e dificuldade de interpretar situações no tráfego.
Pra finalizar, algumas informações retiradas do Fact Sheet da AOTA sobre “O Papel da Terapia Ocupacional na Direção e Mobilidade na Comunidade ao longo da vida” (conforme tradução tosca minha, rs):
A mobilidade na comunidade pode ser definida como mover-se na comunidade e utilizar transporte público ou privado, como dirigir ou acessar ônibus, táxis ou outros sistemas de transporte. Ela é um aspecto importante da participação humana ao propiciar o engajamento em ocupações fora de casa. Os programas de Terapia Ocupacional podem reforçar a mobilidade na comunidade e a direção como ocupações importantes ao oferecerem uma ampla gama de serviços relacionados, dentro de tais programas ou por encaminhamentos. Os Terapeutas Ocupacionais abordam essa área a partir da avaliação de indivíduos, organizações e sistemas para realizar as intervenções necessárias para promover a participação e preservar a segurança.
Coloco aqui alguns tópicos de atuação, relacionados à avaliação e à intervenção, citados no referido documento:
Avaliação ao longo de diferentes fases de desenvolvimento:
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Verificar a segurança das crianças como passageiras;
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Avaliar a capacidade do sistema de transportar estudantes com e sem deficiências;
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Determinar se a criança está pronta para andar de bicicleta;
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Avaliar a habilidade de atravessar a rua e de andar em esquinas e calçadas;
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Avaliar as habilidades motoras visuais necessárias para ver os sinais;
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Verificar se adolescentes estão prontos para dirigir;
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Avaliar a habilidade para acessar e usar outros tipos de transporte além de carro particular;
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Avaliar a habilidade de dirigir e a segurança de adultos com deficiências;
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Avaliar a adequação entre o veículo e o motorista para adultos idosos.
Intervenção: os Terapeutas Ocupacionais podem:
Criar:
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Promover o uso de alternativas de transporte;
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Criar uma rede de recursos na comunidade para apoiar os clientes depois que pararem de dirigir.
Estabelecer / restaurar:
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Estabelecer uma rotina para a mobilidade na comunidade para o uso eficiente dos serviços de trânsito;
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Restaurar a amplitude de movimento ou força ;
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Promover a capacidade de solução de problemas e a segurança através de treino cognitivo.
Manter:
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Atuar para ajudar a manter a comunidade segura, limpa e própria para caminhar ou andar de bicicleta através de ações direcionadas aos serviços municipais.
Modificar:
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Equipar o veículo com equipamento adaptativo para compensar déficits de função motora ou sensorial.
Prevenir:
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Prevenir acidentes e lesões através da promoção do uso adequado dos dispositivos de segurança do veículo.
Em suma, pra quem quer informações sobre o assunto, em inglês, dá pra achar muita coisa. Pra falar a verdade, eu nem pesquisei em português, já achando que não ia encontrar o que queria. Porém, se alguém tiver alguma informação, referência ou notícia sobre este tema, relacionando-o à TO, em português, me avise, para que eu possa acrescentar aqui. Aliás, quem sabe alguém não se anima a pesquisar e publicar algo a respeito aqui? Fica a sugestão!
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Táxi adaptado na Semana da Pessoa com Deficiência em BH
Informações sobre normas de acessibilidade a meios de transporte – links para as normas listadas abaixo através da página do Programa de Acessibilidade CREA-PR ou do Núcleo Regional de Informação sobre Deficiência.
- NBR 14020 – Acessibilidade a Pessoa Portadora de Deficiência – Trem de Longo Percurso
- NBR 14021 – Transporte – Acessibilidade no sistema de trem urbano ou metropolitano
- NBR 14022 – Acessibilidade a Pessoa Portadora de Deficiência em Ônibus e Trólebus para Atendimento Urbano e Intermunicipal
- NBR 14273 – Acessibilidade a Pessoa Portadora de Deficiência no Transporte Aéreo Comercial
- NBR 14970-1 Acessibilidade em Veículos Automotores- Requisitos de Dirigibilidade
- NBR 14970-2 – Acessibilidade em Veículos Automotores- Diretrizes para avaliação clínica de condutor
- NBR 14970-3 Acessibilidade em Veículos Automotores- Diretrizes para avaliação da dirigibilidade do condutor com mobilidade reduzida em veículo automotor apropriado
- NBR 14022 – Acessibilidade em veículos de características urbanas para o transporte coletivo de passageiro
- NBR 15450 – Acessibilidade de passageiro no sistema de transporte aquaviário
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