Em 16 de outubro a BBC News publicou matéria, de autoria da jornalista Jane Elliott (Um robô guia a escrita de Tom), sobre a utilização de um braço robótico como auxiliar no tratamento de crianças com dispraxia (dificuldade de planejar e executar padrões de movimento de maneira habilidosa ou não habitual*). Vejam abaixo partes dessa matéria:
Tom Powis, o mais novo de trigêmeos de 11 anos, tem dificuldades para escrever, usar botões e amarrar cadarços, embora não apresente dificuldades de aprendizagem. A fisioterapeuta Gillian, sua mãe, explica que Tom apresenta dispraxia, o que o deixa frustrado.
Tom precisa treinar continuamente sua escrita, o que ele acha difícil, chato e cansativo. Mas um novo “braço robótico”, que Tom tem utilizado pelas últimas quatro semanas para praticar suas habilidades motoras finas, pode ser a solução.
O dispositivo foi desenvolvido e testado por uma equipe na Universidade de Leeds na Inglaterra, em colaboração com colegas das universidades de Aberdeen na Escócia e Indiana nos Estados Unidos. Ele permite que crianças com problemas de coordenação pratiquem em casa exercícios terapêuticos prescritos usando um sistema desktop interativo, que também pode monitorar como elas se movimentam, através da medida de fatores como suavidade e velocidade do movimento.
Os exercícios envolvem o uso de uma caneta, guiada pelo braço robótico, para empurrar objetos ao longo de uma pista 3D na tela do computador. Parece ser uma forma divertida de treinar através de repetição, tanto que os irmãos de Tom (sem dificuldades motoras) também têm se interessado por ele.
O pesquisador Mark Mon-Williams, professor de psicologia cognitiva na Universidade de Leeds, diz que um dos grandes benefícios do sistema é o fato de ele ser portátil e poder ser utilizado em casa. De acordo com a matéria, ao menos 5% das crianças (lembrando que esses dados são para a Inglaterra) são afetadas por dispraxia, e a maioria delas provavelmente não receberá a ajuda necessária devido à grande demanda ou ao limite de recursos em Terapia Ocupacional (alguns podem receber apenas uma sessão por ano). De acordo com Mon-Williams, “Não há terapeutas suficientes para o numero de crianças que têm dificuldades de movimento no Reino Unido”, que completa dizendo que eles precisam buscar tecnologias de auxílio para preencher essa lacuna (vocês vão dizer: mas aqui tem terapeuta sobrando! Bom, mais ou menos: se considerarmos os terapeutas “disponíveis” sim, mas se fizermos um levantamento das reais necessidades e do número potencial de clientes, veremos que a demanda também é grande aqui – é a velha história do abismo entre as necessidades de saúde da população e seu atendimento efetivo).
Na reportagem, o pesquisador diz que no passado as pessoas pensavam: ‘então, você não é muito bom na escrita ou na cutelaria, mas que problema há nisso?’, o que não é verdade, já que crianças com tais dificuldades podem apresentar outros problemas, relacionados ou não (ok, nenhuma novidade para TOs!).
A mãe de Tom, Gillian, reconhece a importância de se desenvolver a escrita e diz que o dispositivo é também uma boa diversão, pois as crianças precisam do input ‘intenso’ e usar o robô com feedback visual torna o aprendizado mais fácil e divertido.
Agora estão sendo planejadas pesquisas para investigar por quanto tempo o robô deve ser usado para se atingir os melhores resultados. Esse sistema básico deve estar disponível para o público em geral em 2012.
Aqui vocês podem ver outras matérias, também publicadas pela BBC News, sobre esse dispositivo: Robot shows children how to move, em junho de 2006, e Home-help for dyspraxic children, em setembro de 2001. Para saber mais sobre outros projetos da equipe de que faz parte o professor Mark Mon-Williams na Universidade Leeds, clique aqui. Esses projetos são relacionados ao desenvolvimento de avaliações e dispositivos auxiliares de tratamento para dificuldades cognitivas, perceptivas e de movimento em geral (infelizmente, pelo pouco que pesquisei no site, não vi referências à Terapia Ocupacional, mas os projetos e suas aplicações parecem interessantes e promissores).
* Definição retirada do Capítulo 25 – Teorias Originadas das Perspectivas de Desenvolvimento da Criança – parte 3 – Integração Sensorial – de Olga Baloueff, do livro Willard & Spackman Terapia Ocupacional, de M.E. Neidstadt e E.B. Crepeau. Vejam mais sobre o assunto (em inglês) aqui.
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