Já que o objetivo da Terapia Ocupacional é facilitar a participação ativa do indivíduo nas suas atividades cotidianas, o profissional dessa área precisa estudar os vários aspectos envolvidos na execução de tais atividades. Por isso, na formação do Terapeuta Ocupacional estão presentes disciplinas da área de ciências biológicas, da saúde, humanas, sociais e tecnologias aplicadas. Dessa forma, quando uma pessoa apresenta uma dificuldade para desempenhar determinada tarefa ou papel importante para ela, o profissional avalia toda a situação para identificar as causas do problema e propor, em conjunto com o cliente, a melhor solução.
Por exemplo, se uma pessoa apresenta dificuldade para se alimentar sozinha, o Terapeuta Ocupacional avalia as causas do problema, que podem ser várias, de acordo com o caso: pode ser um problema físico que leva à dificuldade de segurar o garfo ou a colher, ou de levá-los à boca, ou de se manter sentado em equilíbrio. Pode ser um problema cognitivo, que leva à dificuldade de compreensão da tarefa ou de processar as informações do ambiente.
Uma vez identificada a(s) causa(s) da dificuldade (que pode ser apresentada não apenas pelo indivíduo, mas também pelo ambiente ou pessoas responsáveis pelo seu cuidado), o Terapeuta Ocupacional avalia a melhor forma de atuar, de acordo com o contexto e a solução desejada pelo cliente. Desse modo, se o problema for para segurar o talher devido à falta de força necessária para isso, ele pode orientar atividades ou exercícios de fortalecimento muscular; se isso não for possível, ele pode sugerir adaptações que facilitem a preensão do talher e permitam ao cliente alimentar-se sozinho.
Como se pode ver, as possibilidades e alternativas de tratamento são amplas e dependem do contexto, da experiência e das preferências e necessidades do cliente, além da natureza do problema a ser solucionado. Como o objetivo final é o desempenho de atividades e papéis (e a satisfação do cliente com esse desempenho e o seu resultado), o Terapeuta Ocupacional costuma usar as próprias atividades como recurso terapêutico, que podem ser realizadas de forma adaptada para gerar engajamento e interesse e trazer os benefícios necessários. As atividades escolhidas variam muito de acordo com a necessidade, capacidade e preferências do cliente – conforme o caso, podem ser utilizadas tarefas do dia-a-dia ou mesmo jogos como o Wii. Se necessário, também podem ser realizados exercícios, movimentação passiva e técnicas auxiliares. Além disso, o TO avalia o ambiente e o contexto e verifica se são necessárias alterações, adaptações ou o uso de tecnologia assistiva para possibilitar ou facilitar o desempenho de atividades do cotidiano e a mobilidade.
Sempre que possível, serão fornecidas explicações básicas sobre disfunções físicas e/ou mentais mais comuns em clientes que procuram serviços de TO e quais são os princípios e recursos gerais de tratamento em cada caso. Como uma explicação completa sobre cada uma delas e sua abordagem terapêutica seria muito extensa, o objetivo é proporcionar esclarecimentos gerais (que não substituem a avaliação adequada de um profissional de área) e fornecer referências para a busca de maiores informações.
Esclarecimento II
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